Wahine PCD: bodyboarding muda vidas de mulheres na Serra
Capixaba

Wahine PCD: bodyboarding muda vidas de mulheres na Serra

Em Jacaraípe, atletas amputadas, mastectomizadas e com deficiência visual mostram que a onda vai muito além do troféu

A quinta edição do ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro caiu na água nesta sexta-feira (11), na Praia do Solemar, em Jacaraípe, na Serra. As baterias preliminares movimentaram as três categorias que valem título mundial: profissional, júnior e master. Já no sábado (12) o evento entrega os primeiros troféus, justamente na categoria PCD.

A disputa PCD é exclusiva para mulheres com deficiência e reúne atletas amputadas, mastectomizadas e com deficiência visual. Para elas, o bodyboarding pesa muito mais que uma modalidade esportiva. É ferramenta para reconstruir a relação com o próprio corpo, recuperar a confiança e reencontrar um jeito novo de se reconhecer depois de um câncer de mama, de uma amputação ou da perda da visão.

A pernambucana Carla Cunha, 45 anos, perdeu a perna esquerda num acidente de moto em João Pessoa (PB), em 2016. Depois disso, foram dois anos quase restritos a consultas médicas, com o trauma de voltar a andar de carro, medo, ansiedade e depressão no pacote. A virada veio no fim de 2018, com a musculação recuperando a sensação de autonomia, e em 2021 ela voltou ao mar incentivada pelo marido. Hoje é tricampeã do Wahine na categoria amputadas.

Quem também fez as pazes com a água foi Cintya Belly, 44 anos, pernambucana do Recife que surfa desde os 13 e é cria de Porto de Galinhas. Aos 35, veio o diagnóstico de câncer de mama, com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Mesmo no tratamento, manteve o desejo de voltar ao mar, assinou termo com aval médico para competir de novo e virou campeã da categoria PCD mastectomizadas em 2023, além de vice em 2024. A marca do evento ela carrega na pele, tatuada.

A lista ainda tem gente de peso vindo de outras modalidades. A carioca Renata Bazone, que mora no Espírito Santo desde bebê e hoje vive na Serra, é atleta com deficiência visual e foi campeã mundial de atletismo paralímpico nos 800 metros T11, com bronze nos 1.500 metros T11 no Catar, em 2015. Ela tem retinose pigmentar, doença degenerativa que compromete a visão, e chega a Jacaraípe para defender os títulos das duas últimas edições.

Fora da água, o evento também esquenta a conscientização: o Ônibus Rosa leva informação e a Rua de Lazer garante atividade para a família inteira. É bodyboarding, sim, mas com um recado bem maior na crista da onda.

Fonte: folhavitoria.com.br

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