A torcida capixaba deu uma esfriada nos estádios em 2026. A média de pagantes por partida desabou para 471, contra 639 na temporada passada — um recuo de 26,3%. O movimento corta pela raiz a curva de alta que vinha desde 2024, quando o índice era de apenas 341 torcedores por jogo.
Nos números absolutos, o retrato é ainda mais duro: 76.309 pagantes em 162 partidas em 2026, enquanto em 2025 foram 115.096 em 180 jogos. Isso significa 38.787 torcedores a menos, ou 33,7% de queda. Para efeito de comparação, 2024 tinha registrado 65.380 pagantes em 192 jogos.
Boa parte da explicação tem nome e escudo: o Rio Branco-ES. Campeão capixaba em 2025 e figurinha carimbada nas competições nacionais, o Capa-Preta passou 2026 em branco. Caiu nas quartas do Estadual, deu adeus à Copa do Brasil nos pênaltis para o Athletic na segunda fase, usou time alternativo na Copa ES e parou na segunda fase da Série D diante do Uberlândia. Na Copa Verde até foi longe, com semifinal e decisão da Copa Centro-Oeste, mas os três jogos em casa levaram 908, 299 e 2.264 pagantes.
O reflexo nas cadeiras foi direto: 22.875 pagantes em 20 jogos como mandante (média de 1.144), contra 57.246 em 22 partidas em 2025 (média de 2.602) — tombo de 60% no total e 56% na média. No Capixaba, a retração foi de 2.844 para 1.264 por jogo (55,6%). Na Série D, de 3.306 para 1.255 (62%).
Os campeões de 2026 também não arrastaram multidão. O Porto Vitória, clube-empresa de apenas seis temporadas e torcida formada em boa parte por familiares e amigos, faturou o Estadual inédito com 5.482 pagantes em oito jogos em casa (média de 685) — saindo de 53 na primeira fase para 1.738 nos mata-matas. Já o Rio Branco VN, dono da inédita Copa ES e de vaga na Série D de 2027, teve média de 249 em nove jogos como mandante, com apenas 164 na Copa ES, e amargou a lanterna do Capixaba sem vitória e com rebaixamento.
No ranking de médias, a Desportiva Ferroviária puxa a fila (2.259 pagantes), seguida por Rio Branco-ES (1.144), Estrela do Norte (1.092) e Serra (671). Mas o cenário geral assusta: sete dos 20 clubes profissionais ficaram abaixo de 100 pagantes por jogo, e 42,6% das 162 partidas do ano não passaram de 100 torcedores. O fundo do poço foram dois jogos com míseros 6 pagantes — Sport-ES x Pinheiros e CTE/Colatina x Audax São Mateus. Trazer esse pessoal de volta é o desafio para 2027.
Fonte: ge.globo.com







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