A corda está esticada no mercado do futebol brasileiro. Casas de apostas que estampam suas marcas nos uniformes de clubes das Séries A e B avisaram os dirigentes: se o governo federal aprovar a Medida Provisória que proíbe a operação das bets no país, os contratos de patrocínio caem na hora, sem aviso prévio e sem multa.
Ninguém quer dar o primeiro passo antes de ver o texto final, mas o clima nos bastidores é de apreensão. No cenário de veto total defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o rompimento é tratado como questão de tempo. Se a proibição vier mais light — digamos, atingindo só os jogos online, tipo o Tigrinho —, ainda assim os contratos terão que ir para a mesa de negociação.
O motivo é simples: quem opera no ramo garante que os jogos online respondem por até 80% do faturamento. Sem essa fatia, não há caixa para manter os aportes nos clubes no mesmo patamar. Quatro empresas já se mexeram: Betano (Flamengo), Novibet (Santos), Superbet (São Paulo e Fluminense) e Esportes da Sorte (Corinthians). As notificações também chegaram a veículos de comunicação, entre eles Globo, Band e RedeTV.
Enquanto isso, os clubes não ficaram de braços cruzados. Alguns já fizeram sondagens iniciais para achar novos parceiros. O Flamengo, dono do maior contrato do país — R$ 268,5 milhões por ano pagos pela Betano, num vínculo de três anos e quatro meses —, foi um dos primeiros a estudar alternativas no mercado.
E o valor em jogo não é brincadeira. Em 2025, as bets despejaram cerca de R$ 1,03 bilhão nos clubes da Série A, alta de aproximadamente 66% sobre os R$ 618 milhões do ano anterior, segundo levantamento da consultoria Convocados. Mesmo assim, o montante representou só 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões da elite do futebol nacional.
Na quinta-feira (17), quando o assunto começou a vazar, os clubes soltaram um manifesto conjunto com uma frase de efeito: se o mercado regulamentado acabar, o futebol acaba. Pedem combate à ilegalidade e fiscalização mais dura, sem derrubar um setor que o próprio Estado regulamentou. Já na quarta (23), em evento de campanha no Rio, Lula foi direto: “Isso não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets”. O presidente citou o combate à ludopatia e três reuniões já feitas com Presidência, Casa Civil, Fazenda e Justiça. Segundo o UOL, o texto final está no gabinete presidencial, pronto para assinar até segunda-feira.
Fonte: eshoje.com.br







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