Cindec cobra posição de Neymar sobre patrocínios com casas de apostas
Capixaba

Cindec cobra posição de Neymar sobre patrocínios com casas de apostas

Órgão capixaba dá dez dias úteis para o craque explicar se segue de papo com as bets

Neymar Jr. entrou na mira da fiscalização capixaba. O Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Cindec) notificou o craque para que ele esclareça, em dez dias úteis, se pretende manter contratos de publicidade, promoção, afiliação ou patrocínio com as bets, as casas de apostas de quota fixa. O relógio só começa a correr quando a recomendação chegar às mãos do jogador.

A investida faz parte de uma atuação preventiva do colegiado, que acompanha de perto a publicidade das plataformas de apostas e o papel das celebridades nesse meio. O Cindec reúne representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Procon/ES, Polícia Civil, Defensoria Pública e Procuradoria-Geral do Estado.

E não é só o camisa 10 que vai ter que dar explicações. Vinícius Júnior, Ronaldo Fenômeno, Galvão Bueno, Adriane Galisteu, Léo Santana, Luciano Huck, Vanderlei Luxemburgo e Casimiro Miguel também estão na lista. Segundo o órgão, outras personalidades, inclusive de alcance regional e local, ainda devem ser notificadas.

Tudo se sustenta na Recomendação Cindec nº 01/2026, um documento de 58 páginas com pesquisas, estudos científicos, dados econômicos e informações sobre a regulamentação brasileira das apostas online. Entre os números, um levantamento aponta que 66,8% dos usuários de sites analisados apresentaram comportamento de risco ou problemático. O texto também menciona estimativa de R$ 38,8 bilhões por ano em custos sociais ligados às apostas e aos jogos de azar, sendo cerca de R$ 30,6 bilhões em saúde.

A atenção com a garotada é explícita: 53% das pessoas de 9 a 17 anos já viram anúncios de apostas na internet, índice que sobe para 63% entre os adolescentes de 15 a 17 anos. Já entre os jovens que declararam ter apostado, 55,2% mostraram indicativos de jogo problemático ou de risco. O documento ainda destaca o peso da influência dos famosos: 57% dos consumidores entrevistados disseram ter sido influenciados por celebridades na hora de apostar.

A recomendação deixa claro que não declara ilegalidade de campanha específica nem atribui culpa automática a Neymar ou aos demais divulgadores. Caso opte por manter as parcerias, o atleta terá que demonstrar que contratos, campanhas e peças publicitárias seguem os parâmetros da regulamentação. A diretora-geral do Procon/ES, Letícia Coelho, avisou que as campanhas serão acompanhadas e que publicidade enganosa ou abusiva vai render medidas cabíveis.

Fonte: folhavitoria.com.br

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