Se tem uma coisa que a Grande Vitória vai ver de novo é mulher de guarda alta. O projeto social Força Feminina inicia na segunda-feira (9) uma nova etapa de treinamentos gratuitos de defesa pessoal para mulheres cis e trans a partir de 18 anos, com aulas práticas inspiradas no taekwondo e rodas de conversa sobre prevenção à violência, direitos e autonomia feminina. A iniciativa já beneficiou cerca de 650 mulheres e agora abre novas turmas em Cariacica, Serra e Vitória.
Em Cariacica, as aulas começam no dia 9, na EMEF Oliveira Castro, em Itaquari. Na quarta-feira (11) é a vez da turma da Serra, no Centro Comunitário Castro Alves, em Conjunto Carapina I. Já em Vitória o treinamento começa no dia 13, no CMEI Ana Maria Chaves Colares, em Atlântica Ville. Todos os encontros acontecem das 18h30 às 21h, horário que casa direitinho com a rotina de quem trabalha fora.
A programação é dividida com precisão de golpe bem dado: cada turma tem encontros semanais de duas horas e meia, sendo uma hora dedicada à prática de movimentos e estratégias de autodefesa e uma hora e meia de rodas de conversa conduzidas por profissionais das áreas de psicologia e direito. No tatame, técnica; na roda, informação. A combinação é o que sustenta o projeto desde o começo.
As técnicas vêm do taekwondo, modalidade que trabalha disciplina, coordenação, agilidade e confiança. A proposta é desenvolver habilidades que ajudem as mulheres a reconhecer situações de risco e ampliar as possibilidades de reação diante de ameaças. Fora do espaço de treino, o debate continua com temas como machismo, feminismo, maternidade, mercado de trabalho e as diferentes formas de violência contra a mulher, além de orientações sobre direitos, canais de denúncia e redes de assistência social.
Idealizado pela mestra de taekwondo Manuela Feliz, técnica da Seleção Brasileira, e pela faixa-preta Andiara Caneo, o Força Feminina é uma iniciativa da Associação de Taekwondo da Grande Vitória. O projeto parte de um entendimento certeiro: a violência nem sempre começa com agressão física — pode aparecer no controle, na intimidação, na dependência e no silenciamento. Por isso, aposta no esporte aliado à informação como ferramenta de prevenção e fortalecimento da autonomia feminina.
“Esse projeto é mais do que uma formação: é um movimento de resistência e reconstrução”, afirma Manuela Feliz. A iniciativa tem perspectiva inclusiva e prioriza mulheres em situação de vulnerabilidade social, negras, indígenas, mães solo, pessoas com deficiência e mulheres lésbicas, bissexuais e trans. As atividades contam com patrocínio da Vale, Solenis e Grupo Águia Branca, via Lei Federal de Incentivo ao Esporte, e o acompanhamento das novidades é pelas redes sociais @ffdefesapessoal.







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