Richarlison x Tottenham: impasse fora de campo vira guerra jurídica
Capixaba

Richarlison x Tottenham: impasse fora de campo vira guerra jurídica

Capixaba está fora dos planos, treina separado e estuda saída pelos tribunais da Fifa

O clima entre Richarlison e o Tottenham azedou de vez. O capixaba tentou arrumar as malas na última janela de transferências, mas as conversas não decolaram: algumas ofertas não agradaram aos ingleses e outras, como a do Vasco, não convenceram o próprio atacante. Resultado? O tempo passou, as portas foram fechando e o camisa 9 acabou ficando por lá mesmo.

Só que ficar não significa jogar. Richarlison segue no elenco, porém não tem sido relacionado para as partidas da temporada e treina separado do grupo principal. O técnico Roberto De Zerbi já deixou claro que não pretende usá-lo, o que transformou o vestiário num ambiente nada tranquilo para o jogador.

Diante desse cenário, os advogados do atacante já estudam um caminho mais radical: a rescisão por justa causa esportiva, com base no artigo 15 do regulamento da Fifa. O argumento seria a falta de oportunidades e o afastamento do elenco principal — afinal, Richarlison nem está entre os 25 inscritos para a Premier League.

O especialista em direito desportivo Pedro Lopes lembra que existem três rotas possíveis, em ordem de viabilidade: um acordo amigável para rescindir, esperar a janela de janeiro por uma transferência definitiva ou apostar na justa causa. Essa última é a mais arriscada, porque depende de requisitos cumulativos — ser profissional consagrado, ter atuado em menos de 10% dos jogos oficiais na temporada e notificar a rescisão nos 15 dias seguintes à última partida oficial do ano.

Richarlison cumpre os dois primeiros pontos, mas tropeça no terceiro: a análise só poderia acontecer ao fim da temporada, em maio de 2027, quando o contrato dele com o Tottenham, válido até junho de 2027, já estará quase no fim. Se a Fifa não reconhecer a justa causa, o atacante pode ser obrigado a pagar uma indenização prevista no vínculo.

A fala de De Zerbi pode virar arma na disputa. Para Bernardo Marchesini, da Comissão de Direito Desportivo da OAB/SC, as declarações do treinador ganham peso se o jogador sustentar que está sendo impedido de exercer a profissão. Caso a Fifa dê razão ao capixaba, ele sairia livre para assinar com outra equipe até fora da janela — e a partir de janeiro já poderia firmar pré-contrato com qualquer clube.

Fonte: folhavitoria.com.br

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