Na última quarta-feira (13), durante a São Paulo Innovation Week, três figurões do futebol se reuniram para discutir o modelo multiclube (MCO). Guilherme Bellintani (Squadra Sports), Marina del Guerra (Outfield) e Eduardo Tega (Sportheca) colocaram na mesa as referências do City Football Group e da Red Bull, que são os grandes exemplos quando o assunto é administrar mais de um clube ao mesmo tempo.
A Lei da SAF (nº 14.193/2021) abriu as portas para essa brincadeira, mas, segundo Bellintani, ainda falta segurança jurídica. A CBF também não facilita: proíbe que um mesmo dono tenha times nas séries A, B ou C ao mesmo tempo. O cara que presidiu o Bahia e viu de perto a venda pro Grupo City sabe que o negócio não é simples.
Bellintani explicou que o City Group já comprou 13 clubes mundo afora, cada um se complementando. Mas não é só trocar jogador não – tem cobrança todo santo dia. Já a Red Bull é diferente: compra times pra alavancar a marca e vender energético. No fim, ambos exigem processos decisórios sofisticados, transparência e governança.
O sucesso da rede multiclube depende da formação de atletas e da paciência. Bellintani, que hoje está no Londrina (lanterna da Série B com 5 pontos em 8 jogos), sabe que torcedor é emoção. Por isso, a gestão de expectativa é chave. O plano pro Londrina era ficar três anos na Série C, mas subiram antes.
Marina del Guerra, que cuida dos investimentos no Le Mans (França) e no Coritiba, disse que o MCO vai além de trocar jogador. É sobre governança, conexões comerciais e respeitar a identidade de cada clube. Já Eduardo Tega, da Sportheca, aposta num “modelo de comunidades” com Capivariano, Pontedera (Itália) e uma proposta pro Joinville. Ele acredita que Joinville tem potencial pra ser um dos 30 principais times do Brasil, mesmo sem prometer Série A.
Os executivos concordam que o futebol tá inflacionado, com jogadores caros voltando da Europa e poucos sub-23 em campo. Para eles, o futuro das redes multiclubes no Brasil depende de paciência dos investidores e da torcida. Afinal, reconstrução leva tempo – e o Joinville, por exemplo, acumula desgaste de uma década.
Fonte: maquinadoesporte.com.br





